Aquela arvore ali nunca se apaixonou, provavelmente nem aquele senhor que engraxa o sapato do homem apressado, que nunca se apaixonou. E o vendedor de jornais grita as manchetes e faz graca pra mulher bonita com flor no cabelo, que passa apaixonada, pensando no jantar do marido.
A moca que me traz o cafe fala do tempo, e do homem engravatado, assaltado pelo homem de arma que nunca se apaixonou, ou por aquele pai que ama os filhos com fome, quem sabe...
E aquele garoto pede distraido um cafe pra moca de avental, que sempre viu beleza no jeito que sorria quando a chamava, mas nuca falou nada, apaixonada.
Eu me apaixonei! E deixo o cafe esfriar em cima da mesa, enquanto leio os quadrinhos do jornal.
