quarta-feira, 13 de maio de 2009

São como pessoas, ou não...


O que são as coisas, as cousas, os mistérios e as superstições?

O que é o campo, a natureza e as cidades grandes, pulsantes?

O que é o homem afinal?

É muito difícil e ninguém tem resposta pronta. Talvez seja por que tendemos sempre a dizer qualidades e omitir defeitos ou o ego que nos persegue, sei lá.

Por isso digo que sou o que vejo, e como vejo as coisas, ou não.
Sou meus sobrinhos brincando com meu cachorro, e as crianças que jogam bolinha pro alto no semáforo. Sou um pouco das indústrias, dos carros, das fumaças e do ritmo da cidade, e sou muito mais da cachoeira que canta quando encontra as pedras no fundo do rio.
Eu sou a cerveja que os trabalhadores tomam no dia de folga, e a pinga do meio dia que o mendigo pede quando não pode comprar o almoço.
Não falo o português correto, polido, dos políticos do planalto, e sei ouvir quando o idoso me fala lições e conselhos no português do brasileiro.
Não sei de tudo, não li muitos livros e posso também não saber calcular o desvio padrão, mas sei ver quando alguém não segue o padrão social dos valores desviados pelo egoísmo, e respeito isso.
Dinheiro também não tenho muito, e me entristeço quando vejo as pessoas julgando, não seus semelhantes, mas seus iguais, pois afinal é isso que somos, de acordo com a humildade que fomos perdendo desde que deixamos de ser crianças.
Sou o sorriso que ela já me deu, e o copo quebrado que ela me atirou.
Sou o transito do meio milhão de carros das metrópoles e a carroça do homem que entrega o leite nas estradas de chão do interior de Minas.

Alem do que vejo, sou o que sinto e o que escuto. E eu que não penso muito em como as coisas foram criadas, ouço o que tem a dizer todas as pessoas e as coisas, que às vezes não falam a língua dos homens, mas escrevem palavras nos ventos, conversam entre si pela alma, e de alguma forma entram em contato também comigo.

Mas acima de tudo penso, enquanto vejo, sinto ou ouço. E nada me deixa mais feliz do que saber que as pessoas perdem alguns minutos de sua vida para ler as coisas que vejo, sinto, ouço e penso, enquanto bebo de um copo cheio de alegrias e tristezas, comigo mesmo.
Como agora.