quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Inspiração Clichê

A gente precisa se inspirar.
Nem que seja
No cheiro da tinta sobre o papel
Num menino ajudando se amigo que caiu no chão
Na menina que cuida de sua boneca com carinho
Num velhinho tentando atravessar a rua
No Green Peace
Na nossa vida...
Para poder enxergar
A nuvem formando um cachorro
A letra falando do desatino
O coração ignorando a razão

E tentar não ser clichê.
De novo.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Brasil


eu acordo com a madrugada
um tempo, um banco e algumas pessoas nele, toda manha
um senhora, um homem aflito que olha para o relógio
uma garota bonita me encara, e me sorri com os olhos

e os olhos me atraem a atenção
os dela mostram esperança, e mais alguns sonhos guardados na mochila
a senhora mostra bondade, um garoto se levanta por alguem e mostra solidariedade
e o homem aflito, olha para os lados, e afrouxa a gravata

meus olhos nao posso ver, apenas observo as cores neste cenário
sinto cada vez mais orgulho, pelas cores que me atraem
um pouco de verde, mais um pouco de amarelo, um azul bem nítido
e as estrelas que peguei da mochila da garota
tambem sorrio,
em verde, mais um pouco de amarelo e um azul bem nítido.

uma fotografia, preto e branco ao revelada
verde, mais um pouco amarelo e um azul bem nítido ao entendida.
e algumas estrelas, retiradas de uma mochila, uns olhos, um sorriso, e uma garota que me encara
e me sorri também com os olhos
olhos verdes, amarelos e de um azul bem nítido.


ignorem a falta de concordância, estética e os outros mil defeitos

eu queria o sol nascendo, você e um sorriso, que não vejo há muito tempo. Talvez segurando a minha mão e falando daquele geito, coisas que só você entende
lembra como a gente sonhava, e lutava porisso? Discutia inflamadamente sobre coisas impossiveis fazia planos e fantasiava um mundo nosso.
Você se lembra das musicas que ouviamos? Desde blowing in the wind à Roda Viva, tinhamos sempre alguma história, algum momento, ou alguma lembrança boa pra contar.
Lembra das tardes de domingo ou dos telefonemas de madrugada. Das cartas apaixonadas e das fotos que guardávamos?
eu ainda posso sentir o seu sorriso, o seu abraço, o verde dos seus olhos, o sal na sua pele e o doce no seu lábio e também o amargo de quando se irritava comigo, e a alegria que eu sentia, quando você sorria.
Ah esse sorriso e esses olhos, por mais que passe o tempo, e que algumas coisas fiquem borradas na minha memoria, o rosto, as mãos ou a forma do teu corpo, jamais podeira esquecer o seu sorriso e os seus olhos, nem o geito que sorria pra mim ou me olhava, quando eu dizia alguma bobagem, ou quando chegava perto e dizia que te amava.
Eu queria ter percebido antes que é melhor se arrepender por ter feito algo do que por não ter feito e eu me arrependo todos os dias por não ter te beijado algumas vezes, por não estar perto quando você chorava como você fazia comigo.
hoje eu te procuro toda vez que eu viro uma esquinha, nas pessoas ao fundo de uma foto que tirei em alguma festa, procuro um recado seu na primeira pagina de algum livro que você me deu, ou um bilhete escrito no meu caderno.
A pulseira que estou usando é sua e o coração que bate no meu peito também é seu.

Eu minto.


Como eu minto. Eu minto tanto que eu minto pra mim mesmo. eu minto pra você, pra ela, pros meus pais, pro meu irmão, pro meu professor. quando não minto, omito. Minto pra mim mesmo, imaginando um milhão de coisas, e minto, tentando completar a metade que não sinto. Eu digo que não quero um amor, eu digo que amo e minto. Eu falo palavrão pra não mentir, elogio e concordo, e minto.
eu tento, faço de tudo pra não mentir, mas os lugares que frequento, as pessoas que converso, e as situações que vivo me forçam. Não aguento tanta hipocrisia, tanta futilidade, tanta bobagem dita num dia só, jah contestei e falei a verdade, mas hoje em dia acabo ficando indiferente, sem cor, não sou notado mas pelas coisas que falo, nem pras coisas que penso.
Eu faço de tudo, eu choro, sorrio, grito, bebo, e até durmo com alguem, mas estou sempre mentindo.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Sobram tantos medos que nem me preotejo mais

Eu não sei porque, mas parece que já não nos sobra tempo como antes, que ficamos ocupados de mais para fazer, ou lembrar, das coisas que fazíamos, principalmente das coisas mais simples. hoje tento me lembrar de como eramos à tempos, triste sina essa a nossa.
Tento sentar na sacada e olhar o por do sol, fotografar as crianças brincando na rua, deitar na rede e olhar o sol, comer cereal e falar as besteiras que falávamos.
Faz tempo que não me lembrava de como eram bonitas essas coisas, de como me faziam bem. É realmente triste que não consigamos levar nossa vida sempre e cabeça erguida, sem que a rotina e a depressão que a rodeia nos dominem também. Tenho encontrado nestas coisas simples que lhe falei, uma forma de escape pra não me deixar ficar careta demais. Tento escrever, falar, pensar, sentir como antes, mas já não sou capaz. Uma saudade e uma tristeza forte tomam conta de mim quando penso nesta situação, bom era o tempo em quem alguma bebida e uns amigos satisfaziam a minha necessidade de felicidade.
Sinto saudades de tudo, mas principalmente de como éramos, falta paciência, falta bondade, falta amor e coragem, falta tanta coisa que aflige, me machuca.
Sobram os medos. Medo da indiferença, da falta de assunto, medo de alguem se levantar, medo de me erguer, medo de ser clichê, medo das musicas ficarem todas iguais, medo de ser igual, de acordar cedo todo dia, de fechar o ultimo botão da camisa e por uma coleira listrada para demonstrar seriedade.
Tento, mas já não sou suficientemente capaz de voltar a ser o que era, de voltar a pensar com o que a gente tem dentro do peito.
Por Guilherme Fiordomo